Dono de farmacêutica que prometeu 'genérico do Ozempic' em Sorocaba é alvo da PF em investigação de produção clandestina
Dono de farmacêutica que prometeu 'genérico do Ozempic' em Sorocaba é alvo da PF Um dos sócios da empresa farmacêutica que havia prometido instalar uma fá...
Dono de farmacêutica que prometeu 'genérico do Ozempic' em Sorocaba é alvo da PF Um dos sócios da empresa farmacêutica que havia prometido instalar uma fábrica do "genérico do Ozempic" em Sorocaba (SP) é alvo de uma investigação da Polícia Federal sobre a produção clandestina de medicamentos para emagrecer. O médico Derek Camargo teve veículos apreendidos em abril deste ano, durante a segunda fase da Operação Slim. O caso ganhou notoriedade após o prefeito Rodrigo Manga (Republicanos) anunciar que distribuiria o remédio na cidade. A promessa de instalação da fábrica foi feita em setembro de 2024, com o anúncio de um investimento de R$ 60 milhões e a geração de 300 empregos no Parque Tecnológico. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp Na época, o prefeito chegou a participar de uma festa da empresa Unikka Pharma e entregou uma placa de homenagem aos sócios, incluindo Derek Camargo. Carro de luxo e avião apreendidos pela Polícia Federal (PF) durante a chamada 'Operação Slim' Reprodução/GloboNews A situação mudou em novembro de 2025, quando a Polícia Federal deflagrou a primeira fase da Operação Slim, que investigava a produção e venda clandestina do princípio ativo tirzepatida, usado em remédios para diabetes e obesidade. A empresa foi um dos alvos. Em abril deste ano, na segunda fase da operação, o médico Derek Camargo se tornou o principal alvo, com veículos apreendidos. A PF informou que o objetivo era desarticular uma organização criminosa que atuava na importação e fabricação irregular da substância. Rodrigo Manga, prefeito de Sorocaba (SP), participa de evento de empresa investiga peça PF Reprodução/Instagram LEIA TAMBÉM: Operação da PF contra fraude em licitações tem mandados em São Roque e Mairinque Ministério Público dá 30 dias para 'prefeito tiktoker' explicar uso de maquinário e funcionários públicos em obra de ‘buraco fake’ A maternidade atrás das grades: presídio do interior de SP promove 'dia de beleza' e fotos para mães detentas O caso na Justiça Federal A investigação contra a empresa começou com uma denúncia da farmacêutica Eli Lilly do Brasil. A empresa acusa a LCA Farmacêutica (de nome fantasia Unikka Pharma) de quebra de patente do medicamento Mounjaro, cujo princípio ativo é a tirzepatida. A Eli Lilly detém a exclusividade do produto até 2032. A defesa da Unikka Pharma argumenta que a prática se enquadra na chamada "manipulação magistral", que é autorizada por uma resolução da Anvisa. Essa norma permite que farmácias de manipulação importem e preparem fórmulas, mesmo que patenteadas, desde que haja uma prescrição médica individual para cada paciente. No entanto, para a Eli Lilly e para as autoridades, a empresa teria ultrapassado os limites da manipulação individual. A acusação é de que a farmacêutica explorava o produto de forma industrial, com produção em série e venda em larga escala, o que configura infração de direito de propriedade industrial. Initial plugin text Com base na denúncia, a Justiça Federal autorizou, em outubro de 2025, uma operação de busca e apreensão nos endereços da empresa e dos investigados. Na ocasião, foram recolhidos computadores, celulares e outros equipamentos eletrônicos. Após a Polícia Federal fazer uma cópia das provas digitais, os aparelhos foram devolvidos. Um dos pedidos feito pela PF é o encaminhamento de um ofício para o Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) solicitando a abertura de um procedimento administrativo para apurar eventual incompatibilidade entre o exercício da medicina e as atividades de cunho farmacêutico e também da comprovação de medicamentos receitados para um paciente e aplicados em outros. O que dizem os citados Procurada pelo g1, a defesa do empresário investigado preferiu não se manifestar sobre o caso. Já a Prefeitura de Sorocaba se limitou a confirmar que a empresa desistiu de se instalar no Parque Tecnológico, mas não comentou sobre a presença do prefeito Rodrigo Manga no evento da farmacêutica. Questionada sobre a autorização para a fabricação do genérico, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não respondeu diretamente. No entanto, em abril, a própria agência já havia informado que negou o registro de medicamentos com o princípio ativo semaglutida (o mesmo do Ozempic) e que, até aquele momento, não havia nenhum genérico do produto autorizado no país. O Conselho Regional de Medicina de São Paulo não se manifestou sobre o casos pedidos da Policia Federal. Parque Tecnológico de Sorocaba oferece primeiro curso gratuito Prefeitura de Sorocaba/Divulgação Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM